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O DIA SEGUINTE

8 de jan. de 2025
3 min de leitura


No dia seguinte ao 08 de janeiro, estava eu acompanhando o desdobrar dos fatos da noite anterior por um único canal de You Tube que insista em mostrar a triste realidade que parecia saltar da tela do celular que eu trazia às mãos, e com o coração partido e frio como aquela manhã fria e ventosa do dia 9 de janeiro de 2023.

Naquela manhã, o silêncio habitual que precede o despertar de uma cidade foi rompido por murmúrios de incerteza e indignação. O epicentro da tensão se encontrava nos arredores do Quartel-General do Exército, em Brasília, onde os resquícios do dia anterior ainda estavam impregnados no ar. A poeira da confusão começava a baixar, mas a perplexidade persistia.


Naquela madrugada, as ruas já não estavam repletas de manifestantes envoltos em bandeiras verde e amarela. Em seu lugar, viam-se filas de ônibus estacionados, com vidros embaciados pelo alento dos ocupantes, que aguardavam o desfecho de uma situação que poucos ali compreendiam plenamente. Três mil pessoas, entre homens, mulheres, idosos e até crianças, estavam agora sob custódia, em um desdobramento que muitos, naquela manhã, classificavam como traição.


Os relatos se multiplicavam como um eco pela cidade. Diziam que os manifestantes, até então acampados pacificamente no entorno do QG, haviam sido convencidos a embarcar nos ônibus sob a promessa de que seriam levados em segurança para suas casas ou para outro local de organização. A presença de agentes da Polícia Militar e do Exército parecia, à primeira vista, reforçar essa garantia.


No entanto, o destino foi outro. Os ônibus seguiram em comboio até o ginásio da Academia Nacional de Polícia, onde os passageiros foram desembarcados em meio a uma atmosfera tensa. Aí, sem distinção entre os que haviam apenas observado os eventos e aqueles que efetivamente participaram de atos ilícitos, todos foram submetidos a um processo de triagem. O lugar, projetado para o treinamento de agentes, havia se transformado em um cenário caótico, com colchões improvisados no chão e rostos marcados pelo cansaço e pela incredulidade.


Os nomes dos agentes e autoridades envolvidas no episódio eram sussurrados com indignação entre os presentes. O Ministro da Justiça, Flávio Dino, foi apontado como uma das figuras centrais na operação, enquanto o diretor da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, conduzia os desdobramentos com firmeza. A coordenação entre as Forças Armadas e as forças de segurança causava espanto em muitos, que não imaginavam que os uniformes verde-oliva pudessem estar associados àquele desfecho.


Para muitos, aquela manhã simbolizava a quebra de um pacto invisível. Sentiam-se traídos por quem, até então, consideravam guardiões de seus valores e ideais. Entre soluços e preces, ouviam-se gritos de “Injustiça!” e “Traição!”, que ecoavam pelas paredes do ginásio.

Do lado de fora, a cidade retomava seu ritmo, ainda que de forma hesitante. Nos escritórios, nos comércios e até mesmo nos lares, discutia-se o que aquele evento significava para o país. Seria um sinal de ordem restabelecida ou uma ferida que demoraria a cicatrizar? Pois as feridas daquele dia fatídico atingiu o coração de toda a nação brasileira.


Naquela manhã do 9 de janeiro, o sol nascente tingia o céu com tons melancólicos, enquanto o vento soprava pelas árvores, espalhando os objetos deixados por aquelas pessoas na Praça dos Cristais. Suas barracas estavam todas ao chão, como vestígios silenciosos de um desfecho inesperado. A friagem não vinha apenas do vento, mas também do coração de um povo dividido, cujas esperanças, assim como as nuvens pesadas daquele dia, pareciam prontas a se dissipar ou a desabar em tempestade.

 



 
 
 

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